História

 Cronologia  A origem da palavra "Gaúcho"
cronologiaUma cronologia desde as caravelas até a revolução farroupilha elaborada por Antonio Augusto Fagundes.   imagem enviada de Marco, no desfile farroupilha de 1999Leia o texto de Barbosa Lessa e saiba mais sobre a origem desta expressão, chê!

 A Revolução Farroupilha  Origem de Chimangos e Maragatos
Mondini: Acervo Biblioteca Pública do EstadoUma descrição da Revolução Farroupilha.

Um dos temas mais comuns nos livros de História do Brasil é a Guerra dos Farrapos.
  capa do livro Juca Tigre e o Caudilhismo Maragato, Elio Chaves Flores, Martins LivreiroCompreenda o que significa e de onde se originaram os termos Chimangos e Maragatos

 Movimento República Riograndense  Movimento "O Sul é O Meu País"
movimento separatistaAlexsandro Witkowski, integrante do MRRG, explica a tese do movimento.   movimento separatistaCelso Dorvalino Deucher explica o Movimento "O Sul é O Meu País" e apresenta análises e explicações do movimento.

 Os Últimos Carreteiros  Sul Refaz a Trilha dos Tropeiros
Encontro em São Gabriel de Roberto Cohen e Marcelo Chagas com carreteirosNo interior de São Gabriel, em pleno pampa gaúcho, resiste o último núcleo de carreteiros do Brasil, talvez do mundo.   Fazendeiros da região de Lages, no planalto catarinense, reivindicam a recuperação das estradas dos tropeiros, para que o turismo rural enfim possa prosperar Cavaleiros desbravaram a região ao buscar rebanhos do Prata no século 18, fundando cidades em seu histórico percurso.

 Museu da Baronesa  Os símbolos do Rio Grande do Sul
Museu da Baronesa, imagem de prospectoUma aventura inesquecível pela aristocracia, naquela cidade (Pelotas) que foi a mais rica no início do século no Rio Grande do Sul.   brasão do Estado do RGSConheça os símbolos do estado do Rio Grande do Sul.

 Carta-Testamento de Getúlio Vargas  Manifesto Libertário do GESUL
foto de Getúlio VargasLeia na íntegra, o texto que nosso ex-presidente gaúcho deixou para o povo brasileiro.   Manifesto Libertário do GesulNão é um Movimento Independentista, mas entidade formada por membros de vários Movimentos existentes no Sul. Seu objetivo é contribuir com instrumentos de luta pacífica no aprimoramento da causa libertária Sul Brasileira.

 Cidades do RS  Constituição de 1843
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  Conheça o texto original da Constituição da República Rio-grandense, concluída em 1983. Extraída diretamente da Wikipedia.
fonte: Página do Gaúcho
www.paginadogaucho.com.br


 
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O Gaúcho no Passado
Artigo e pesquisa de  
Evaldo Muñoz Braz  -  evaldo_braz@hotmail.com 




Origem

Na origem deve ser lembrado, os índios de várias tribos (charruas e minuanos entre outras) que logo se adaptaram ao cavalo. A miscigenação do europeu com o índio. A escolha do abandono da civilização pelos mozos perdidos (1617). E há as atitudes e comportamentos do gaúcho que têm origem no índio. Barbosa Lessa recolhe esta informação do jesuíta Autríaco Anton Sepp (por volta de 1690) ao encontrar índios na Banda dos Charruas: “(...) um deles (índio) pediu apenas um pouquinho de uma erva paraguaia que não é outra coisa senão as folhas secas de determinada árvore, moídas em pó. Esse pó os índios deitam na água e dele bebem, e isso deve ser extremamente saudável.(...) Impossível dizer a perícia e rapidez com que os índios pegam uma rês, derrubam-na, tiram-lhe o couro e esquartejam!” E a boleadeira, que é anterior ao cavalo? Índios, vagabundos do campo, gaudérios, changadores. Em que momento começa a existência gaúcho? É impossível passar a faca sobre este variado over lap e separar as partes cirurgicamente.

Hontang informa que na época da fundação de Buenos Aires em 1580, os cavalos abandonados por Pedro de Mendoza se multiplicaram aos milhares. Por volta de 1600 não podem ser mais contados em suas gigantescas manadas. Os Pampas até a Patagônia estavam povoados de cavalos chimarrões (cimarrones) e o povo que aí vivia tinha se tornado um povo cavaleiro. Os cavalos eram praticamente sem valor monetário e qualquer gaúcho podia ter 6 cavalos em média. O valor de cada cavalo era em média 2 dólares. A formação do gaúcho vem primariamente da existência do Pampa e dos cavalos livres.. A estância será uma conseqüência da existência de pessoal qualificado para o domínio da rês bravia (por sua vez também é abundantemente livre e sem dono (cimarrona também).

Sobre esta região, uma pequena publicação de 1773 informa: “Tenemos, pues que de la abundancia de los ganados resulta la multitud de holgazanes, a quien com tanta propriedad llaman gauderios.”

As estâncias domam o domador. Fixam-no. Transformam seus hábitos. E hoje sem dúvida contribuem para a continuidade de muitas tradições importantes, de centenas de anos.

 

Formação do gaúcho

Sarmiento em Facundo (1845) diz que na organização social do gaúcho, as mulheres guardam a casa, preparam a comida, ordenham as vacas, fabricam queijo e tecem os tecidos grosseiros que vestem. Todas as tarefas domésticas são exercidas pela mulher. Os meninos, continua Sarmiento, “exercitam suas forças e se adestram por prazer no manejo do laço e boleadeiras com que molestam e perseguem sem descanso os terneiros e cabras; quando são ginetes, e isto acontece logo que apreendem a caminhar, servem a cavalo em pequenos afazeres; mais tarde quando fortes, recorrem os campos caindo e levantando, rodando ao acaso dos biscates (...) adestrando-se no manejo do cavalo; quando a puberdade assoma, se consagram em domar potros selvagens e a morte é o castigo menor que os aguarda se em um momento lhes falta forças ou a coragem. (...) Aqui, diria, principia a vida pública do gaúcho, pois sua educação está terminada”.

Costume de andar a cavalo

O pesquisador francês Saint-Hilaire (1820) afirma que era quase impossível encontrar alguém na província do Rio Grande do Sul que não utilizasse cavalo, e não está se referindo somente a empregados rurais de estâncias. “Os habitantes passam a vida, por assim dizer, a cavalo, e freqüentemente locomovem-se a grandes distâncias com rapidez suposta além das possibilidades humanas.”

O francês Arsène Isabelle dá este testemunho em visita ao interior RS VIRTUALnse no inicio do século passado: “ Fomos a pé até a povoação (São Borja), ainda que o calor estivesse excessivo. Os habitantes (...) acostumados a não darem um passo à pé, nos olharam muito admirados.” Causava espanto verem pessoas desmontadas. Saint-Hilaire (1822) diz quase o mesmo. O pesquisador perdeu-se no Rio Grande e foi bem recebido em uma casa, mas com admiração por estar à pé “pois nesta região, mesmo pobre, inclusive os escravos, não dão um passo sem ser a cavalo.”

O Conde d’Eu afirma que para o RS VIRTUALnse (é interessante notar que ele confunde os termos gaúcho e RS VIRTUALnse já em 1858) era depreciada a pessoa que não sabia montar. Já naquela época esta pessoa era considerada (vejam bem, 1858) “baiana”.

O escritor alemão Karl May, buscando material para suas novelas, tinha excelentes compilações de relatos de pesquisadores e historiadores que estiveram nos pampas da América do Sul por volta de 1850. Nelas ele fala das crianças gaúchas “com pouco mais de dois anos de idade, saírem montadas, a galope, campo afora.”

Habilidade no cavalo

É interessante reler um trecho da carta que Garibaldi escreveu em Mantua (talvez trinta anos após a Guerra dos Farrapos), na Itália, ao combatente farrapo Domingos José de Almeida: “Este passado da minha vida no Rio Grande se imprime em minha memória como algo de sobrenatural, de mágico, de verdadeiramente romântico. Eu vi corpos de tropa mais numerosos, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes do que os da bela cavalaria rio-grandense, em cujas filas principiei a desprezar o perigo e a combater dignamente pela causa das gentes.(...) “

Garibaldi (1860), também diz: “(...) o gaúcho, este centauro do Novo Mundo(...).

Avé-Lallemant (1858) descreve: “(...) esses tártaros do Rio Uruguai, não tem casa, levam uma vida nômade.(...)são genuínos cavaleiros, que vivem na sela e por isso não podem ter residência fixa.”

O americano Willian Cody (Buffalo Bill), desejando apresentar a coleção dos melhores cavaleiros do mundo em seu circo eqüestre (com apresentações nos Estados Unidos e Europa) no final do século passado, tinha em sua troupe cossacos, cowboys, lanceiros ingleses, cavaleiros do Buskashi, e claro, gaúchos.

 

 Relação do gaúcho com a guerra



Para Diogo de Souza, comandante das armas da Capitania do Rio Grande entre 1809 a 1814, em carta às autoridades militares da coroa que explica o motivo de sugerir a cavalaria artilhada, “ é indispensável afastar a idéia do serviço a pé. Acostumados a andarem desde criança a cavalo, (...) tem grande desprezo em serem alistados na infantaria e na artilharia a pé; quando aliás se prestam voluntariamente para assentar praça nos regimentos de cavalaria, nos quais, ao contrário do que acontece naqueles, são raras as deserções.”

Saint-Hilaire nos diz que por volta de 1820 a província estava ficando perigosamente militarizada. Isto porque quando o Brasil entrava em guerra com algum país buscava a maioria dos seus soldados nesta província por estarem mais afeitos as lutas.

Garibaldi diz em 1860 lembrando os farrapos e a revolução da qual participou quando jovem em carta a um antigo farrapo Domingos José de Almeida: “(..) Onde estão agora esses belicosos filhos do continente, tão majestosamente terríveis nos combates?(...) Ó! Quantas vezes tenho desejado nestes campos italianos um só esquadrão de vossos centauros, avezados a carregar uma massa de infantaria com o mesmo desembaraço como se fosse uma ponta de gado?”

Garibaldi também diz em suas memórias: “A ala direita obedecia ao general Netto e a direita a Canabarro. Assim as duas alas eram compostas unicamente pela cavalaria e, indiscutivelmente, pela melhor cavalaria do mundo”. (Garibaldi na batalha de Taquari narrada a Dumas).

 

A origem do Rio Grande do Sul – I


O Rio Grande do Sul é, certamente, o Estado brasileiro cuja história apresenta maior número de episódios de lutas e guerras. E essa característica esteve presente desde os primórdios de sua ocupação. Para entender o porque desse aspecto, é preciso recuar bastante no tempo, até o final do século XVII.

Por que é então que começam a surgir os “esboços” do que será o nosso Estado. Até então, essa região era uma espécie de terra de ninguém, uma área de dono indefinido, que ficava entre as possessões portuguesas e espanholas. Ambas as Coroas adotavam uma política expansionista, e estavam interessadas em ocupar o máximo possível de território. Portanto, mais cedo ou mais tarde, terminaria havendo um confronto na área do Rio Grande do Sul, na medida em que, se uma das potências decidisse fundar um núcleo de colonização, a outra imediatamente reagiria.

E foi o que aconteceu. Dom Pedro II de Portugal, que foi regente de 1668 a 1683 e rei de 1683 a 1706, decidiu que o Império Português deveria ocupar a margem esquerda do rio da Prata. E doou, em 1674,  duas capitanias “nas terras que estão sem donatários” ao longo da costa e até a “boca do Rio da Prata”. Essa doação foi confirmada dois anos depois por uma Bula Papal, que considerava que o Bispado do Rio de Janeiro tinha como limite no sul o rio da Prata.

O passo seguinte na consolidação da presença lusa no sul do continente foi a fundação da Colônia de Sacramento. Essa colônia tinha o objetivo de afirmar, definitivamente, a presença portuguesa na área, e servir como um ponto de apoio militar.

A colônia foi fundada em primeiro de janeiro de 1680, nas margens do Rio da Prata. Era uma espécie de ponta de lança da presença portuguesa — estava muito afastada de qualquer outro ponto de colonização lusa no Brasil. Por isso, foi facilmente capturada pelos espanhóis em agosto do mesmo ano.


A partir de então, portugueses e espanhóis se revezaram constantemente na posse da Colônia de Sacramento. Os tratados, que determinam sua posse, se sucedem. E, enquanto isso, os portugueses começam a estabelecer um novo ponto de apoio na ocupação do território do sul: Laguna, no atual Estado de Santa Catarina, que foi fundada em 1684 para servir como apoio para Sacramento. E é a partir de Laguna que vai se iniciar realmente a ocupação do território gaúcho. (Por Lígia Gomes Carneiro)

 

 

A origem do Rio Grande do Sul - II


Embora a fundação de Laguna em 1684 seja o marco do início da ocupação sistemática das terras do sul do continente, isso não significa que, antes mesmo disso, elas não atraíssem os portugueses por razões não só políticas (a ocupação da maior faixa possível de território por Portugal), mas também econômicas. Afinal, o continente do Rio Grande era rico em gado, uma herança que os jesuítas das Missões haviam deixado: ao serem desfeitas as comunidades missioneiras, o gado vacum ficou solto no território gaúcho, e se multiplicou, formando vastos rebanhos.

E era em busca desses grandes rebanhos — e também de índios para escravizar — que vinham grupos de exploradores das áreas mais povoadas localizadas mais ao Norte, como São Vicente (São Paulo). Esses grupos levavam consigo as informações sobre a abundância de gado no chamado Continente de São Pedro. E essas informações terminaram por fazer com que o então governador geral, Rodrigo de César Meneses, escrevesse para o rei português, afirmando que era preciso “mandar povoar toda aquela fronteira, de cuja capacidade pela abundância e a fartura se pode fazer uma das maiores povoações da América”.

A abundância e a fartura podiam ser grandes, e a ambição portuguesa era, sem dúvida, ainda maior. Mas a ocupação de tão vasta área de território esbarrava em uma limitação: a falta de população, de pessoal para enviar para a nova área. O povoado mais extremo então existente, além da Colônia de Sacramento, era Laguna — que contava com a exígua população de 32 casais.

Por isso, a ocupação do Rio Grande começa não com o envio de colonos, mas com expedições de exploração, captura de gado e descoberta de rotas. A primeira delas, em 1725, foi liderada por João Magalhães. Dois anos depois,o grupo liderado por Francisco de Sousa e Faria estabeleceu o primeiro caminho que liga a Colônia de Sacramento à Vila de Curitiba.  (Por Lígia Gomes Carneiro)

 

 

 

A Proclamação da República e o Rio Grande do Sul


O movimento republicano, no Rio Grande do Sul, iniciou-se bem antes da Proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889. Na verdade, já estava consolidado no início da década de 80 do século passado, quando foi fundado o Partido Republicano Rio-Grandense (PRR).

Isso não significou, entretanto, que a implantação do sistema republicano no Estado fosse tranqüila: o confronto entre o PRR e o Partido Liberal, que reunia os remanescentes dos interesses monárquicos se estendeu até 1895, e teve como resultado sangrento a perda de mais de dez mil vidas no Rio Grande do Sul.


Surgimento

O PRR surgiu por iniciativa do Clube Republicano de Porto Alegre, que em fevereiro de 1882 convocou uma convenção regional para que fosse eleita uma comissão encarregada de organizar o partido. Essa convenção já fixava quais seriam os principais objetivos da propaganda do partido: "demonstrar a superioridade da República Federal sobre a monarquia".

O partido teve seu primeiro congresso em 1883, tendo, como líder, Júlio de Castilhos. Estabeleceu-se, então, que teria um jornal partidário — "A Federação". Esse jornal, durante o período republicano e com a ascensão do partido ao governo do Estado, se tornaria o porta voz do ponto de vista governamental.

Desde seu início, o PRR teve uma forte influência positivista, seguindo os princípios do filósofo francês Augusto Comte, que defendia uma doutrina de caráter autoritário e que se pretendia baseada em fundamentos científicos.


Instabilidade

Quando a República foi proclamada, o PRR tentou consolidar seu controle político sobre o Estado. Isso, entretanto, não foi feito sem dificuldade. Em nenhum outro estado houve maior instabilidade política nos anos iniciais da República do que no Rio Grande do Sul: entre a queda do Império e 1893, o governo estadual mudou de mão 18 vezes.

Isto ocorreu, em grande parte, devido à força do Partido Liberal. Ao contrário do que acontecia nas demais províncias (transformadas em Estados com a República), no Rio Grande do Sul o Partido Liberal, que representava os defensores da Monarquia, era bem organizado e forte. E, embora tenha aceitado ("a contragosto", segundo manifesto publicado na época por seus líderes) o novo sistema de governo, se apresentou como uma força de resistência à consolidação do PRR no poder.

Esse confronto terminaria por levar à Revolução Federalista, que se iniciou em 1893 e se estendeu até 1895 — um conflito que resultaria em uma perda de dez a doze mil vidas, e que terminaria com a vitória das forças oficiais e a consolidação do PRR no poder. (Por Lígia Gomes Carneiro)

 

Fonte: RS VIRTUAL www.riogrande.com.br 

 

                                                                                     
                                                                    
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